Mesa de Decisão #4 O líder do futuro terá menos respostas e mais perguntas

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MESA DE DECISÃO

6/22/20262 min read

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Recentemente participei de uma reunião em que uma liderança foi apresentada como referência para a organização. Entre os elogios recebidos, um comentário chamou minha atenção:

"Ele sempre tem a resposta."

A frase foi dita como um grande reconhecimento. E, durante muito tempo, realmente foi.

Durante décadas construímos nossas organizações valorizando profissionais que dominavam informações, acumulavam conhecimento e eram capazes de responder rapidamente às dúvidas da equipe. Em um mundo mais previsível, essa lógica fazia sentido. O conhecimento estava concentrado em poucas pessoas e a experiência era um dos ativos mais valiosos de uma liderança.

Mas o contexto mudou.

Hoje, nenhuma pessoa consegue acompanhar sozinha a velocidade das transformações que acontecem ao seu redor. Novas tecnologias surgem continuamente, modelos de negócio são redefinidos em poucos anos e a quantidade de informação disponível cresce em um ritmo impossível de acompanhar individualmente.

Nesse cenário, talvez a principal função da liderança já não seja ter todas as respostas.

Talvez seja fazer as perguntas certas.

Perguntas que desafiem crenças.

Perguntas que ampliem perspectivas.

Perguntas que ajudem as equipes a enxergar riscos, oportunidades e possibilidades que ainda não estavam visíveis.

Ao longo da minha trajetória, tive a oportunidade de conviver com líderes extremamente competentes. Curiosamente, muitos deles tinham uma característica em comum: não eram as pessoas que mais falavam nas reuniões.

Eram as que faziam as perguntas mais relevantes.

Enquanto alguns buscavam demonstrar conhecimento, eles buscavam compreender melhor o problema.

Enquanto alguns tentavam convencer, eles procuravam explorar.

Enquanto alguns encerravam discussões rapidamente, eles ampliavam a reflexão.

Talvez por isso eu acredite que uma das competências mais importantes para os próximos anos não seja a capacidade de responder rápido.

Seja a capacidade de perguntar melhor.

Em um mundo onde a informação se tornou abundante, a qualidade das perguntas começa a ser um diferencial competitivo.

E isso muda a forma como lideramos.

Muda a forma como desenvolvemos pessoas.

Muda a forma como tomamos decisões.

Talvez o futuro não pertença aos líderes que possuem todas as respostas.

Talvez pertença àqueles que conseguem fazer perguntas que ninguém mais teve coragem de fazer.

Pergunta da semana

Se você pudesse desenvolver apenas uma habilidade em suas lideranças para os próximos cinco anos, qual seria?

Até a próxima edição.

Carine Leal Fraga Fundadora e CEO da Miraê

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