Mesa de Decisão #5 Cultura organizacional ou teatro corporativo?
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MESA DE DECISÃO
6/29/20262 min read
Recentemente ouvi uma frase durante uma conversa sobre gestão que ficou comigo por dias.
"A cultura da nossa empresa é muito forte."
A afirmação foi feita com orgulho. E talvez estivesse correta.
Mas logo em seguida me veio uma pergunta:
A cultura é realmente forte ou apenas está bem comunicada?
Existe uma diferença importante entre as duas coisas.
Ao longo dos anos, muitas organizações investiram tempo e recursos na construção de missões, visões, valores, campanhas internas, murais, eventos e apresentações institucionais. Tudo isso pode ser importante. O problema surge quando começamos a confundir comunicação de cultura com vivência de cultura.
Porque cultura não é aquilo que está escrito na parede.
É aquilo que as pessoas observam acontecer quando ninguém está olhando.
É a forma como as decisões são tomadas.
É quem é promovido.
É quem é tolerado.
É como os conflitos são tratados.
É o que acontece quando existe pressão por resultado.
É aquilo que os colaboradores contam sobre a empresa quando não há nenhum líder por perto.
Por isso, toda vez que uma organização me diz que possui uma cultura forte, gosto de fazer uma pergunta simples:
Os comportamentos mais valorizados na prática são os mesmos que aparecem nos valores da empresa?
Nem sempre a resposta é confortável.
Empresas que afirmam valorizar colaboração podem recompensar competição excessiva.
Organizações que defendem respeito podem tolerar lideranças tóxicas porque entregam resultado.
Negócios que falam sobre inovação podem punir erros de forma tão intensa que ninguém se sente seguro para propor algo novo.
E é justamente nesse espaço entre discurso e prática que nasce aquilo que gosto de chamar de teatro corporativo.
O teatro corporativo acontece quando a cultura existe apenas na comunicação.
Quando os valores são lembrados em apresentações, mas esquecidos nas decisões.
Quando a narrativa é bonita, mas a experiência cotidiana conta uma história diferente.
A boa notícia é que cultura não exige perfeição.
Exige coerência.
As organizações mais admiradas não são aquelas que nunca erram.
São aquelas que conseguem alinhar, de forma consistente, aquilo que dizem com aquilo que fazem.
Talvez por isso a pergunta mais importante não seja:
"Quais são os valores da sua empresa?"
Talvez seja:
"Quais comportamentos são recompensados todos os dias dentro dela?"
Pergunta da semana
Se um novo colaborador observasse sua empresa durante trinta dias sem ler nenhuma apresentação institucional, quais valores ele concluiria que realmente importam?
Até a próxima edição.
Carine Leal Fraga Fundadora e CEO da Miraê

